segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um que se relembra

Orlando Ribeiro. O mais notável geógrafo português. Seguia uma inspiradora e quase perdida linha de pensamento geográfico. No actual panorama do ensino da Geografia, a tendência é para criar "especialistas". Temos geógrafos especialistas em relevo, ou em clima, ou em demografia ou numa das tantas áreas que podem seguir e que são uma nulidade nos outros campos. O processo de Bolonha não veio ajudar em nada a formação dos geógrafos, 3 anos são absolutamente insuficientes para habilitar alguém que se designe geógrafo.

O objecto de estudo de um géografo é o mundo e não se estuda o mundo em 3 anos, nem pouco mais ou menos. A Geografia estuda as relações entre o homem e o meio, as dinâmicas entre a litosfera, a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera, em que nos incluímos. E nos 3 anos de curso estudam-se vagamente e de forma individual essas esferas e os recém-licenciados geógrafos não compreendem essas interacções. Ou bem que ganham interesse por compreender as dinâmicas de forma extra-curricular ou se condena a desaparecimento a pesquisa geográfica que Orlando Ribeiro fazia. Quem ler os livros "Arrábida: esboço geográfico" e "Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico" compreenderá o que isto significa. Trata-se de absorver todos os pormenores físicos, culturais e sociais de uma área. O último livro, aliás, deveria ser de leitura obrigatória nas escolas.

Comemora-se 100 anos do seu nascimento a 16 de Fevereiro.

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