segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Manipulação mediática?

Os média e a PAGAN - Manipulação suave


Nos média de ontem, uma notícia, ecoada, quase letra a letra, em vários meios de comunicação empresariais, trazia, por entre uma aparente "neutralidade" na apresentação da contestação à cimeira da NATO, a passagem assassina:
"Este último ponto (acções sem carácter violento) parece, no entanto, não convencer os próprios organizadores, os quais preparam os manifestantes para eventuais conflitos (...)"

O próprio título "Manifestantes preparam-se para confrontos", decidido depois da consulta do site das acções da PAGAN (ver aqui) é, por si só duma falta de honestidade atroz. De todos os conteúdos desse site (por exemplo, as ideias de acções que propõe) só se ouve falar da parte em que a PAGAN, responsavelmente, informa todos os que possam querer aparecer nas "suas" acções dos cuidados a ter em caso de repressão policial.

Se o título fosse "Manifestantes preparam-se para violência policial", nada haveria a contradizer. No entanto, os média, na linha do que é habitual, preferiram a soundbyte à verdade... preferiram fazer crer que a PAGAN se prepara para destruir tudo o que lhe aparecer à frente em detrimento de explicarem que a PAGAN teme que a polícia se prepare para destruir todas as liberdades civis que puder.

Poderia ser um problema do título e apenas do titulo, até porque sabemos que os títulos, por vezes, não têm nada a ver com a notícia que apresentam, são a embalagem que cativa para um conteúdo normalmente com muito menos sangue.

Mas, a tal passagem assassina a que aludimos acima vem demonstrar que se pretende mesmo fazer passar a noção de que os protestos da PAGAN serão violentos. Melhor, que as pessoas da PAGAN serão todas mentirosas e dizem que estão a organizar actos não violentos para cativarem incautos que se verão, depois, no meio de actos de violência sem precedentes.

Nas reportagens sobre os treinos da polícia, ouvimos sempre falar de treinos de defesa e treinos de ataque, que serão postos em prática, nas ruas dependendo das circunstâncias. Dos pormenores que os média empresariais retiraram do site pagan.pegada.net não há um que possam dizer que é de ataque. Todos os conselhos que a PAGAN dá no seu site dedicado às acções são dicas defensivas. No entanto, para estes média, a polícia é boa e os manifestantes são maus. Os que têm treinos de ataque são os pacíficos e os que só dão dicas de auto-defesa são os violentos. Há aqui qualquer coisa que não soa bem.

Nas ruas, se tiveres dúvidas, olha para a PAGAN e olha para a polícia. Depois diz quem são os "vestidos para matar".

In Indymedia Portugal

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Trabalho infantil numa quinta britânica

Sete crianças romenas, que faziam parte de um grupo de mais 50 de pessoas, a maior parte de origem romena, foram encontradas a trabalhar na apanha da cebola numa quinta de Malvern Hills. Ficaram sob protecção policial 6 delas.

Segundo o porta-voz da Gangmasters Licensing Authority, nenhum dos elementos se encontrava vestido de forma apropriada para as condições climatéricas e encontravam-se todos em situação ilegal. Ainda assim, nenhum detenção foi feita e está a decorrer um inquérito.


Os serviços sociais tentam agora identificar as crianças e os seus pais.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

2 milhões de pobres


Fonte: Catarina Rocha
Estudo da Rede Europeia Anti-Pobreza/ Portugal conclui que quase 1/5 da população portuguesa se encontra em risco de pobreza e que mais de 10% se encontra mesmo abaixo do limiar da pobreza, cerca de 1 milhão de pessoas. As crianças são o grupo de maior risco de vir a enfrentar uma situação de pobreza.

Os portugueses padecem ainda de uma maior probabilidade, comparativamente à média europeia, de se verem privados do acesso a materiais considerados necessários à não exclusão social, tais como a capacidade de manter a casa quente, ter um telefone ou uma televisão, entre outros. Mais de 2,3 milhões de portugueses se encontravam nesta situação, segundo os últimos dados.

O rol da colocação de Portugal no ranking dos piores lugares não se fica por aqui. Tem ainda uma das taxas de desemprego mais altas da EU e é considerado um dos 3 países da União com maior incidência de pobreza entre os cidadãos empregados (ladeado pela Roménia e a Grécia).

Uma outra conclusão do estudo feito é que a assimetria entre ricos e pobres, em Portugal, tem valores superiores à média europeia.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

H1Nlove

É epidémico, tem cura mas o paciente mostra-se bastante resistente em aceitá-la. É um flagelo social, triste, embaraça-me.

Falo de algo que de que tenho vindo a ganhar percepção. Já sabia que existia, mas não tinha noção da forma como se tinha instalado: o modo como as pessoas jogam com a vida dos outros e com a sua própria. Em primeiro lugar, pelo facto de acharem que sozinha não conseguem. Apenas ganha forma o seu projecto de vida, a valorização pessoal quando têm alguém.

Sei que ninguém quer estar sozinho. Não me refiro, naturalmente, aos estados de solidão crónicos. Falo-me ao fim de relações e de busca imediata que se faz, em seguida, para alguém substituir o lugar que ainda não arrefeceu.

Chamemos-lhe Hermínia. Acabou com uma relação de 10 anos com o Alberto. Ora, precisa que outro Alberto que lhe coce a comichão. Vai sair à noite. Traz 3 novos números de telemóvel para casa. Como especialista de Recursos Humanos que é, avalia os candidatos por fases. Uns vão passando à próxima, outros ficando pelo caminho. Que avaliar? Em primeiro lugar, a estabilidade financeira que lhe pode proporcionar. Depois, se lava a vista ou não. Depois... logo se vê. O que realmente importa já foi dito.

Na saída seguinte, ou no hi5 ou facebook, ou afins, vai angariado mais contactos. Passa à fase de os pôr à prova fisicamente. Vão "beber cafés", depois sair mais umas vezes. Depois... já se sabe.

Ora, nenhum sabe da existências dos outros potenciais candidatos, ninguém sabe que está a ser testados. Todos crêem na beleza da aleatoriedade do universo dos encontros e na magia da criação de laços e fortalecimento de sentimentos. Nenhum sabe que vai ser metido a andar assim que a selecção for feita.

Hermínia falha de novo, escolhe mal, ou novo Alberto se arrepende e tudo começa. Desta feita com a facilidade de já ter anteriores contactos e ser relativamente fácil meter idiotas a pensar que se arrependeu, que afinal é especial.

E pronto. Aposto que todos conhecem uma Hermínia. Eu conheço várias.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Não sou só uma embalagem

Deixo aqui a música que voltou ao meu coração:

Just lump everyone in. Then you don't have to begin. To use discrimination. And to set the matter straight. And to end some pointless hate. Here's some information: I'm not proud of my place of birth. some random place on earth. I claim no nationality. I'm no religious institution or denomination. I'm a separate personality. Don't put your labels on me. There's so much more you can't see. Stop soncocting stories, inventing categories. Of who I should be. We're all in cults - I'm not alone. Before you go and cast the first stone. Think of all thats programmed in your head. All these loaded words aside, The question is: how to purify life? Soon you'll be dead. Although you point at me. It's obvious to see: That all the people do conform. And that this whole world's a stage. And everyone's engaged in dressing in different uniforms. To become unconditioned from society. You must know who you are, originally. Take a look at the costume you wear. From your sneakers to your hair. Who's life is the fantasy? All designations aside. I'm not trying to hide. Behind some churchianity. We're all wandering spirit souls. And if you too want life's goal. We must develop honesty

Shelter- Not just a package

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Momentos

Há momentos que nos ficam gravados na memória de forma indelével. Vou deixar aqui uns.

- Uma dia, antes de um concerto de New Winds, ainda não tinha ninguém entrado na sala, só o pessoal das bandas, meteu-se o Tiago a tocar baixo para estar entretido. Nisto o Break agarra no microfone e o Tiago começou a tocar a Progressive Man, de Shelter e o Break a cantá-la. Ninguém estava lá a ouvi-los, só eu. E bateu-me de uma maneira absurda. Para quem não sabe que música é vá procurá-la, mas basicamente tem uma letra brutal, onde é descrita a forma fria como o Homem pode agir com outra pessoal. É uma letra de uma sinceridade chocante. Ainda hoje me lembrei disso.

- Eu, a Cátia e a Ana Rita, em casa da Ana Rita a ver fotos dela quando ela era pequena. Nisto surge uma que desencadeou o maior ataque de riso que alguma vez tive. Doía-me tudo. Tive de fugir de ao pé da Ana e a Cátia veio a correr atrás de mim e trancámo-nos no quarto dos pais da Ana porque ela se ria tanto que só de olhar para ela ainda ríamos mais. Resultado, eu no chão a rir porque não tinha, literalmente, força nas pernas para andar. A Cátia na mesma figura. E a Ana também, mas do lado de fora do quarto porque não a deixei entrar porque corria sérios riscos de molhar as calças pela primeira depois de ter aprendido a usar a sanita. Não garanto que tenha resultado na totalidade. A foto em causa, não a vou descrever porque é daqueles momentos nossos. Dava meio fígado para a ter. Não teria um dia triste na vida.

- Eu e a minha prima nos Verões dos Foros de Amora. Começou a trovejar como se não houvesse amanhã. Que é que as duas chicas-espertas fazem? Dirigem-se ao telhado para ver melhor. Apanhámos uma molha valente e, felizmente, nenhum raio. Uma vizinha viu-nos e chibou-se. Castigo. Dia seguinte, queríamos ir ter com os gandulos à noite, mas estávamos de castigo. Que fazemos? Saltamos o portão. Saltei, vem a Lili atrás e fica presa pelas costas da camisola nos picos do portão. Lá voltei a entrar e tentei soltá-la sem fazer barulho, já que estávamos a cometer ilegalidades. Resultou, mas contemos o riso até chegarmos ao fim da rua.

- Eu e o meu irmão. Uma vez deu-nos uma pancada qualquer quando começámos a ouvir a Bullet with butterfly wings, de Smashing Pumpkins e agarrámos numa almofadas e fizemos o maior espancamento almofágico de sempre, acompanhado por um headbang mesmo à hóme. Tive 1 semana com umas dores no pescoço que não virava a cabeça para lado nenhum.

- Eu, Kiko, a Vera e o meu irmão. Fomos explorar os montes barcarenenses, estava a Crel em construção e ainda dava para atravessar a pé. Vou eu munida do top, os calções de lycra e umas sandálias mesmo à Verão de 93. Que tinha uma sola toda flexível e uns elásticos. O Kiko tinha descoberto uma entrada para um mina, que tinha sido tapada, mas tinha um buraco por onde conseguíamos entrar, de cabeça. Assim fizémos. Não sabíamos é que no fundo do buraco havia umas escadas. Ora, entrámos julgando que era só meter as mãos no chão e deixar entrar o resto do corpo. Diga-se que a cornadura foi escada abaixo parecia o Space Shuttle. Já lá dentro, havia 3 caminhos por onde seguir. Um estava tapado ao fim de poucos metros. Outro era escuro e não se via o fundo e o último via-se uma luz no fundo do túnel. O meu irmão e a Vera borraram-se todos e ficaram nas escadas e eu e o Kiko seguimos o túnel que ficava cada vez mais baixo até acabarmos por ter de fazer os últimos metros de rastos no chão até chegar à luz. Que luz era? Do céu, estávamos no fundo de um poço. Satisfeita a curiosidade saímos e fomos à procura de mais minas. No fim da tarde, decidimos ir por um atalho e descemos a vertente por um cano de escoamento de água que estava seco. A ideia era descer tipo escorrega, mas quando nos sentámos deixámos entrar pedrinhas e descemos não sei quantas dezenas de metros com pedra a raspar debaixo do cu. Conclusão, cheguei cá a baixo e tinha o rabinho todo queimado. Foi de uma agressividade que fiquei com dois buracos enormes nos calções e uma ferida enorme em cada nádega. Fui a correr para casa para tomar banho e ir para os anos do Marcos. Não me sentei a festa toda.

Um dia conto mais.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Lindo dia

"Suss, tenho boas e más notícias. As más é que esta estação de seu nome Foros de Amora na verdade fica na Cruz de Pau e vamos ter de andar até à casa da minha avó, essa sim nos Foros de Amora. A boa notícia é que não está a chover."

E ao caminho nos fizemos com o meu sempre fiel e desobediente canito, Dennis. Para não variar nada, que a gente até gosta, a falar da vida. Das nossas eternas dúvidas existenciais. Adoramos ficar que tempos a analisar circunstâncias e eventos para no fim concluirmos que não sabemos nada. Resume-nos a comuns mortais e assim gosto que seja. A pressão de saber mais ou ser mais pode ser esmagadora e traz tão grande responsabilidade. Retira-nos a justificação para as nossas próprias menos boas acções. Sendo iguais podemos sempre alegar que errar é humano... Mas sabemos mais que isso.

Vemo-nos constantemente e evoluir na idade e a manter velhos hábitos, velhas dúvidas, velhas cruzes. Eu gosto, faz-me sentir mais humana. Para alguém que tem uma certa arrogância (como é o meu caso), ter tanto que me foge ao controlo é uma lição de humildade.

Lá continuámos até ao pinhal para prosseguir com as confissões. Nada como nos expormos as nossas vulnerabilidades perante uma certa beleza cénica.

Foi muito bom. Felicidade pode ser uma boa conversa e uns pés cagados.